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Arábia Saudita autoriza mulheres a dirigirem

Arábia Saudita autoriza mulheres a dirigirem

As sauditas serão autorizadas a dirigir a partir de junho de 2018, uma decisão histórica no reino ultraconservador, único país do mundo onde as mulheres não podiam conduzir.

O rei Salman ordenou “permitir a concessão da licença para dirigir às mulheres na Arábia Saudita”, diz o texto do decreto real, publicado na terça-feira (26) pela agência oficial de notícias SPA.

Como parte de seu ambicioso plano de reformas econômicas e sociais até 2030, Riad parece pronta para abrandar algumas destas restrições impostas às mulheres e tenta, pouco a pouco, promover formas de diversão, apesar da oposição dos ultraconservadores em um país onde a metade da população tem menos de 25 anos.

Além da proibição de dirigir, as mulheres sauditas são igualmente submetidas à tutela de um homem da família – geralmente o pai, o marido ou o irmão – para poder estudar ou viajar.

 

A antiga proibição de dirigir era vista mundialmente como um símbolo de repressão às mulheres e esta permissão é dada após anos de resistência de ativistas.

A decisão foi publicada dias depois que centenas de mulheres puderam ir no sábado, pela primeira vez, a um estádio de Riad para assistir às celebrações da festa nacional, com shows e queima de fogos de artifício.

Em novembro, o multimilionário príncipe saudita Al-Waleed bin Talal, conhecido por não ter papas na língua, pediu que deixassem as mulheres dirigir alegando o “custo econômico” que supunha o fato de as mulheres dependerem de motoristas particulares “estrangeiros” ou táxis para se deslocar.

E se o marido levar a esposa para algum lugar, isto o obriga a deixar o trabalho, o que reduz a sua produtividade, lamentou o príncipe.

Autorizar as mulheres a dirigir é “uma demanda social urgente que a conjuntura econômica justifica”, insistiu, em referência às dificuldades orçamentárias que o país atravessa, devido à redução dos investimentos provocada pela queda dos preços do petróleo.

Segundo o decreto, o rei saudita pesou os “prós e os contras da proibição” antes de tomar uma decisão.

O monarca também assegurou que “a maioria dos grandes ulemas (doutores da lei islâmica) estavam a favor de uma medida que permitisse as mulheres dirigir”.

Os Estados Unidos celebraram o decreto adotado por seu grande aliado no Oriente Médio. “Estamos muito feliz”, disse a porta-voz da diplomacia americana, Heather Nauert, que qualificou essa decisão de um “grande passo em uma boa direção”.

 

Fonte: Istoé / Foto: Fayez Nureldine / AFP

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