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Estado deve anunciar novas regras para agrotóxico da soja

Estado deve anunciar novas regras para agrotóxico da soja

O governo do Estado vai publicar hoje novas normas a respeito da utilização do herbicida 2,4-D em 22 municípios do Rio Grande do Sul. As normativas fazem parte de um conjunto de medidas que serão adotadas para tentar solucionar os problemas causados pela aplicação do agrotóxico, utilizado para matar ervas daninhas em plantações de soja. Nos últimos anos, ele tem causado a morte de pomares e vinhedos, além de causar riscos à saúde, como doenças na tireóide. Na região, sete municípios, como Jaguari, Santiago, Mata e Jari, poderão ser afetados pelas medidas.

São, basicamente, duas regras. A primeira define um termo de conhecimento de risco e responsabilidade, que irá constar prescrição de receita para o uso do agrotóxico. Para a aplicação, serão necessários pré-requisitos, como condições meteorológicas e equipamento adequado, além de exigir que as empresas elaborem um material de conscientização sobre os riscos do herbicida.

A outra normativa exige o cadastro dos aplicadores do agrotóxico e obriga que o produtor esclareça as informações sobre a aplicação do herbicida.

Maior produtora de uva na Região Central, Jaguari tem sido atingida pelos problemas causados pelo 2,4-D, de acordo com o presidente da Cooperativa Agrária São José, João Alberto Minuzzi.

– Nos últimos quatro anos, perdemos cerca de 30% da área plantada e a produção caiu cerca de 60%. O herbicida causa muito dano à plantação – afirma Minuzzi.

O técnico em vitivinicultura da Cooperativa São José, Alexandre Maia, projeta o que as novas regras podem causar:

– Vai restringir e dificultar a compra do produto e ainda fazer com que o produtor assuma a responsabilidade. Até novembro, a gente vai ter um resultado. Por enquanto, esperamos que seja mesmo colocado em prática.

O 2,4-D é o segundo herbicida mais usado em soja no Brasil, e gera polêmica entre os agricultores desde 2015. Conforme o coordenador do Laboratório de Análise de Resíduos de Pesticidas (Larp) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Renato Zanella, o agrotóxico é bastante utilizado porque é barato. O problema, segundo ele, é a aplicação mal-feita. Por conta disso, o herbicida que é aplicado em uma plantação de soja, por exemplo, pode ser levado pelo vento até outras culturas, como as de uva, e causar danos a elas.

Para o professor do Larp, Osmar Prestes, as restrições podem diminuir os problemas causados produto, sem que seja preciso deixar de usá-lo.

– É uma forma de promover a redução do dano que esse herbicida estava causando em outras culturas e garantir o seu uso seguro – explica Prestes.

Fundo

Durante a reunião de ontem, também foi proposto que as empresas criem um fundo, com aplicação de cerca de R$ 6 milhões, para controle do 2,4-D. O orçamento desse fundo seria direcionado para melhorias nas estações meteorológicas no Estado, análise de coleta e resíduos do herbicida, além da melhoria e criação de um sistema unificado na Secretaria do Meio Ambiente para que haja um monitoramento do produto. A definição de como será composto o fundo será dada até 5 de agosto.

O QUE ESTÁ PREVISTO
As novas regras para uso do 2,4-D em municípios gaúchos:

  • Termo de conhecimento de risco e responsabilidade na prescrição do produto
  • A aplicação só poderá ser feita a partir de pré-requisitos, como condições meteorológicas e equipamento adequado
  • Empresas precisarão ter um material de conscientização sobre os riscos do herbicida
  • Os aplicadores do agrotóxico deverão ser cadastrados em um sistema de controle
  • Produtores terão que detalhar informações sobre a aplicação do herbicida

Municípios da região afetados

  • Jaguari
  • Santiago
  • Mata
  • Jari
  • Silveira Martins
  • São João do Polêsine
  • Rosário do Sul

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