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MP denuncia Lula por lavagem de dinheiro em negócios de empresa brasileira na África

MP denuncia Lula por lavagem de dinheiro em negócios de empresa brasileira na África

O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-presidente Lula por lavagem de dinheiro em negócios de uma empresa brasileira na Guiné Equatorial.

A denúncia é desdobramento de uma das fases mais emblemáticas da Lava Jato: a Operação Aletheia, que, em março de 2016, levou o ex-presidente Lula para prestar depoimento coercitivamente.

Naquele dia, também foram apreendidos documentos na sede do Instituto Lula, que, segundo os procuradores paulistas, revelam que Lula recebeu dinheiro para intermediar negócios do grupo ARG, na Guiné Equatorial.

Segundo a denúncia, o empresário Rodolfo Geo, dono da ARG, “solicitou a Lula que interviesse junto ao presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, para que o governo daquele país continuasse realizando transações comerciais com o grupo, especificamente no que se refere à construção de rodovias naquele país”.

É em um e-mail, que, segundo os procuradores, a contrapartida ao ex-presidente Lula fica mais evidente. O ex-ministro do governo Lula Miguel Jorge diz a Clara Ant, diretora do Instituto Lula, que tinha se encontrado com o empresário Rodolfo Geo. E que Rodolfo teria dito que havia “uma disposição de se fazer uma contribuição financeira bastante importante ao instituto”.

Miguel Jorge diz, ainda, que tinha falado com o próprio Lula, a quem se refere como “PR”, e que o ex-presidente teria dito que “queria mesmo falar com a ARG sobre o trabalho deles na Guiné Equatorial”.

Os procuradores dizem que as conversas entre Lula e a ARG ocorreram em 2011, quando ele já não era mais presidente da República.

A denúncia cita ainda uma carta, assinada por Lula e endereçada ao presidente da Guiné Equatorial. Quem levou a carta foi Rodolfo Geo, a quem Lula chama de amigo. O ex-presidente lembra ainda que ARG atuava na Guiné Equatorial desde 2007, destacando-se na construção de estradas.

Os procuradores também citam um recibo de uma doação ao Instituto Lula, feita pelo grupo ARG, no valor de R$ 1 milhão. A Lava Jato, em São Paulo, considera que essa doação é, na verdade, o pagamento pela ajuda que o ex-presidente Lula deu à empresa que queria fechar contratos na Guiné Equatorial, e que isso configura lavagem de dinheiro.

Os procuradores afirmam ainda que a “falsa doação” serviu para esconder um outro crime: o de tráfico de influência internacional. Como Lula tem mais de 70 anos, esse crime já prescreveu. Ele foi denunciado por lavagem de dinheiro. Já o empresário Rodolfo Geo é acusado de lavagem de dinheiro e tráfico de influência internacional.

A defesa do ex-presidente Lula afirmou que a denúncia fabricou uma acusação para dar continuidade a uma perseguição política, que a denúncia pretendeu transformar uma doação legal em tráfico de influência e lavagem de dinheiro, que a acusação não tem apoio em qualquer conduta específica do ex-presidente e que ele não teve oportunidade de prestar esclarecimento.

O Instituto Lula afirmou que todas as doações que recebe são legais, declaradas e registradas e usadas nas atividades do instituto, e que nunca tiveram nenhuma contrapartida.

A defesa de Rodolfo Geo declarou que desconhece o teor da denúncia, que o empresário já se ofereceu para prestar depoimento ao Ministério Público Federal em São Paulo, e que a denúncia foi oferecida sem ouvi-lo.

O Jornal Nacional tentou entrar em contato com a ARG e com o ex-ministro Miguel Jorge, mas não teve retorno.

Fonte: G1 / Foto: Divulgação

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