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Salto patrimonial e gastos milionários: o que levou à prisão 10 investigados por suposta pirâmide financeira

Salto patrimonial e gastos milionários: o que levou à prisão 10 investigados por suposta pirâmide financeira

Um relógio de R$ 250 mil e um anel de R$ 175 mil estão entre as compras feitas por um casal de Novo Hamburgo no início deste ano. Em um total de R$ 968 mil, o gasto em loja de grife de São Paulo dá mostra do salto patrimonial de sócios de empresa de investimentos em criptomoeda, alvo de operação da Polícia Federal (PF).

O patrimônio dos cinco donos da inDeal, de Novo Hamburgo, saltou, em um ano, de R$ 400 mil para R$ 144,3 milhões. Esse foi um dos argumentos da investigação para decretar a prisão preventiva dos 10 detidos. A suspeita é de que a empresa estivesse operando como pirâmide financeira. Cerca de R$ 1 bilhão teria sido captado de investidores entre fevereiro de 2018 e maio deste ano. 

No despacho do juiz da 7ª Vara Federal de Porto Alegre Guilherme Beltrami, que decretou as prisões de sócios, suas esposas e de dois colaboradores, a evolução patrimonial é esmiuçada. Segundo o documento, ao qual GaúchaZH teve acesso, foram presos Régis Lippert Fernandes e a esposa Neida Bernadete da Silva, Francisco Daniel Lima de Freitas e a esposa Fernanda de Cássia Ribeiro, Ângelo Ventura da Silva e a esposa Karin Denise Homem, Tássia Fernanda da Paz, Marcos Antônio Fagundes, Flávio Gomes de Figueiredo e Paulo Henrique Godoi Fagundes. 

Segundo apuração, a inDeal era apresentada como uma empresa recém-constituída com capital social de R$ 100 milhões. Informações da Receita Federal apontam que teve origem em uma firma individual constituída em nome de Fernandes, em 2011, que tinha capital social de R$ 130 mil. Ele é apontado como responsável pela administração da inDeal. 

Em fevereiro de 2018, a empresa passou a ter entre suas atividades a intermediação e agenciamento de negociações. Em setembro, o capital social passou para R$ 100 milhões. Para isso, cada sócio teria contribuído com 20% do valor. Mas a investigação não identificou de onde esse dinheiro saiu. Para a PF, é um indício de que o montante só serviu para justificar o capital social da empresa, que antes era de somente R$ 25 mil. 

Ainda que tenha feito negociações com criptomoedas, segundo a PF, a empresa estaria atuando como instituição financeira clandestina, já que não tinha autorização para captar recursos de terceiros. Conforme a PF, havia promessa de lucro de 15%, embora parte da quantia estivesse sendo aplicada em investimentos convencionais. Para os investigadores, se todos investidores quisessem retirar os valores ao mesmo tempo, a empresa não teria como ressarci-los. 

Segundo o procurador José Alexandre Pinto Nunes, o Ministério Público Federal pedirá a alienação antecipada de bens. O montante dos valores bloqueados da empresa não foram informados. 

Compras milionárias e bens não declarados

Ao longo da investigação, foram identificados depósitos das contas da empresa direto para os sócios e familiares. Um dos aspectos que chama a atenção são os gastos milionários. A compra de artigos de luxo em  loja de grife de São Paulo teria sido realizada por Francisco Daniel Freitas, e pela esposa dele, Fernanda de Cássia Ribeiro, no início deste ano. Em novembro de 2018, Fernanda teria adquirido esmeraldas lapidadas por R$ 563 mil, que não foram declaradas à Receita Federal. 

O casal foi preso em condomínio de alto padrão em Estância Velha, em 21 de maio, dia da Operação Egypto. Parte dos bens deles foi apreendida. Em residencial de luxo de Novo Hamburgo foi detida a outra sócia, Tássia da Paz. Até o início do ano, ela residia em uma casa simples no bairro Canudos. De 2017 para dezembro de 2018, o patrimônio de Tássia passou de R$ 57 mil para R$ 25 milhões. 

Régis Fernandes, apontado como administrador da empresa, foi preso em Santa Catarina. Neida da Silva, que seria responsável pela contabilidade, também foi capturada. Os sócios também são donos de uma fazenda em Taquara, no Vale do Paranhana, que tem como capital social declarado R$ 10 milhões. A propriedade é identificada como produtora de sementes certificadas, cultivo de milho, criação de bovinos de corte e de bovinos de leite. 

Contraponto

Os presos foram encaminhados para o Presídio Central e para o Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier. Em depoimento, os sócios permaneceram em silêncio. A reportagem de GaúchaZH ligou cinco vezes para a advogada Veridiana Fumegalli Paiva, que defende os presos, mas não obteve retorno. 

Além dos crimes de operação de instituição financeira sem autorização legal, gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o inquérito apura o envolvimento de pessoas que teriam tentado obter informações sigilosas da investigação e que foram identificadas.

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